O frio russo tomou conta do Rio

Rio de Janeiro – Se o clima e a política de um país pudessem ser absorvidos por meio de um olhar, certamente veríamos que as fotografias de Serguei Maksimishin congelariam suas molduras. A exposição “O Último Império”, com a curadoria de Luiz Gustavo Carvalho, trouxe ao Centro Cultural da Caixa 65 fotografias do icônico fotógrafo, que retratam uma realidade crua da Rússia durante os 20 anos subsequentes de uma crise que abalou o país.

A exposição aconteceu entre 8 de agosto e 14 de outubro, e apresentou as capturas de uma Rússia antiga que apesar de abalada pela desestrutura da economia e por contínuas mudanças sociais continuou vivendo, respirando, mantendo suas tradições, seus vícios e seu olhar para cima, com uma espécie de superioridade inabalável.

 

O naturalismo da fria Rússia de Maksimishin, retratado em obras luminosas e com um enquadramento milimétrico está nas cadeiras de bares, no bocejo de uma mulher com seu vatnik, no olhar medroso de um comerciante de peixes, nas ruas geladas, nas pernas de strippers e na própria imagem de Putin, em uma fotografia que até hoje divide opiniões, sobre graciosidade e temor.

Mas o intuito, proposital ou não da fotografia de Serguei, fotojornalista e figura presente nos maiores veículos russos e mundiais, calhou de ser justamente esse: não explicar, não pedir adoração, não retratar um humor líquido.

Sua cobertura da Guerra da Chechênia, por exemplo, é de longe um dos maiores retratos de parte importante da história russa. Serguei contou que no dia que levou o filme com as fotos da destruição de um prédio para um laboratório fotográfico notou alguns erros. “Na imagem do edifício sendo derrubado encontrei um rastro de bota. Não retoquei os arranhões, que para mim são parte da obra”.

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