Literatura

Entrevistei Gabriel Dantas, e ele me revelou quem é o gato que usa tapa olho nos seus quadrinhos

Manaus – Dia 30 de Janeiro é comemorado o Dia do Quadrinho Nacional e por isso, nada melhor do que celebrar a data conversando com um quadrinista. Gabriel Dantas é um nome que está no cenário do quadrinho nacional fazendo seu corre longe das grandes editoras, e que como muitos, está na internet para divulgar o que anda produzindo.

Foi assim que conheci o trabalho dele, através do twitter. Autor de: Abandonado por Elena (eleito um dos 31 melhores quadrinhos publicados no Brasil em 2018, segundo o site O quadro e o Risco), Cactos para o jantarNão pedi para estar aqui e O garoto que namorava estrelas solitária, Dantas também desenhou A Noite dos Homens – Peixes, quadrinho que tem o roteiro assinado pelo Juscelino Neco e foi lançado na CCXP de 2018. Dono de um traço e uma narrativa bastante particular é com ele que eu bati um papo hoje.

gabriel-dantas
Gabriel Dantas mandando o recado: leia quadrinhos e hidrate-se

Pra começar escolhe uma música pra ser trilha pra entrevista e te apresenta pra galera.

Estou numa fase de escutar muita música ruim. Sendo assim, pularei. Daqui um ano, indico decentemente alguma coisa. E, bom, Gabriel Dantas. Natalense.  Humano desde março de 1999. Faço quadrinhos quando dá na telha. Tenho um gato muito bom em caçar e se esconder. Inclusive, comecei a suspeitar de que ele tem poderes, mas não irei me aprofundar neste assunto com medo de autoridades o raptarem para possíveis pesquisas. Também cuido de um coelho. Que consegue cavar grandes profundidades no quintal da minha vó. Muito orgulho de ambos.

Quando e como tu começou a fazer quadrinhos? Fez pra internet? Fanzines?

Pior que eu também gostaria de saber quando e como eu comecei a fazer. Na minha mente tem uns pulos cronológicos que não me permitem saber com exatidão dessas coisas. Haha. Na internet, sempre fui de publicar e meses depois, excluir. Sei lá, eu relia e via que muitas coisas não funcionavam mais. Beirava a vergonha. Deletar nessas ocasiões me deixava mais tranquilo.

Os fanzines se tornaram presentes acho que em 2016. Mas em 2017 que as coisas começaram a fazer mais sentido. Pois foi quando comecei a ir em eventos daqui de Natal com o intuito de lançar neles. Rolava evento, e eu preparava algo novo. Muitos amigos me ajudaram e ainda me ajudam nisso. Dando conselhos para melhorar meu trabalho e até mesmo servindo de editores. Sendo assim, creio que o que produzi  antes disso não me importa muito.

 

A Noite dos Homens – Peixes, teu trampo com o Juscelino Neco, tu desenhou 100 páginas em dois meses. Como rolou essa parceria? O ritmo de trabalho foi alucinante ou foi bem de boa?

Queríamos algo que tivesse o nome dos dois na CCXP. Comecei quase que no fim do ano já, então foi correria. Lembro que ligava bastante pra Juscelino pois não acreditava que terminaria a tempo. Haha. Mas a parte dele foi me entregue pronta do começo ao fim, inclusive já revisada. O que foi muito bom.

No entanto, como a tiragem foi independente, rolou uns nervosismos bem fodas. Tipo a entrega dos exemplares, que saíram no mesmo dia em que viajamos pra SP. Digamos que ele pegou os bebês na gráfica de tarde, e de noite viajamos. Agradeço diariamente aos seres superiores do multiverso que nos concederam sorte nesta jornada.

E teu processo de criação? Tu é aquele cara disciplinado que estabelece metas, cola uns post it de lembrete na parede e cumpre os prazos ou tu tem uma ideia e pensa “essa ideia é foda mas vô começar hoje não”?

Varia muito. Não costumo perder prazos, mas também não trabalho com metas diárias ou semanais. Rola muito de eu passar semanas sem fazer quadrinho, por exemplo. Mas tenho tentado mudar isso.

Em 2018 tu participou da CCXP. Como foi essa experiência? Ela te trouxe fama e dinheiro de um gangstar rapper? Quando tu vai na padaria uma legião de fãs te persegue pedindo autógrafo ou tá bem de boa?

A CCXP é um evento grande e muito bom para os quadrinistas. É um público muito diverso onde você pode ter contato com leitores casuais e leitores viciados em quadrinhos. Seu público com certeza aumenta quando você participa de algo assim. Eu gostei de estar lá. Gostei do retorno dos leitores e das pessoas que conheci. Pra ter o dinheiro de um gangstar rapper, você precisa ser um gangstar rapper. Infelizmente, não levo jeito pra cantar.

Teus traços e tua narrativa são bastantes agradáveis, as histórias que tu escreve são situações que alguém já passou ou conhece alguém que passou pelo menos uma vez na vida. Quais são tuas referências? O que te influência?

Tudo. Qualquer coisa. Tem vezes que saio pra comprar quentinha e volto com uma boa história. Criei o hábito de assistir e ler de tudo. 

 

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Uma das páginas que mais gosto de Abandonado por Elena.

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A gente vê um “boom” de quadrinhos aqui no Brasil, tu acha que isso vai ser uma crescente ou tu acha que isso é só uma bolha e uma hora tudo volta a ser como antes?

Uma vidente me contou umas coisas. Mas eu prometi que não iria espalhar.  Foi mal.

MOMENTO PENSA RÁPIDO

Um filme: Boogie nights

Um livro: A bíblia do caos, do Millôr. Esse é top.

Alguém que daria um abraço: Não curto muito abraços.

Alguém que daria um soco: No ultimo ano do ensino médio eu dei vários socos num garoto. Queria muito dar mais uns. Aê, garoto que eu esqueci o nome, cuidado!

Indica uns quadrinistas que tu acha que a galera deve acompanhar.

Juscelino Neco, Wagner Willian, Felipe Parucci, Max Andrade (Otaku disfarçado), Yuri Moraes… Essa galera é foda e vai destruir o mundo. Tenho certeza. Também tem meus amores do quadrinho natalense, Leander Moura faz uns terrorzão do capiroto. Mario Rasec tem uns personagens metaleiros que eu acho do caralho também. Os Black. Recomendo. Vou até fazer o jabá aqui dele e pá: Facebook Os Black  Vai que muita gente compre o quadrinho dele por causa dessa entrevista e eu ganhe umas cervejas, né? 

Bom e pra encerrar eu deixo esse espaço aberto pra tu mandar teu recado final e me responder: Quem é aquele gato de tapa olho das histórias?

Parem de bobagem e me sigam no instagram/twitter: @BifeDeUnicornio. E meus quadrinhos estão disponíveis na Ugra também. Procurem. Abandonado por Elena, Cactos para o jantar e Não pedi para estar aqui. Outra loja que eu enviei recentemente é a física da editora Mythos.  Lá tem O garoto que namorava estrelas solitárias, Cactos e ElenaSejam felizes e não desperdicem água. É feio.

O gato de tapa-olho é Gizmo. Meu gato cego e caçador que Juscelino me deu. Amo ele. Um ótimo travesseiro inclusive.  Fareja de longe uma pessoa cuzona. Já tirei muitos “amigos” da minha vida porque ele me deu uns avisos. Valeu, leiam quadrinhos e  beijem muito!

 

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