Um olhar íntimo, sensível e existencial sobre a Filosofia (I)

A pergunta “O que é filosofia?” acaba por constituir-se também como problema filosófico. Na verdade, sob um ponto de vista fenomenológico, tudo se torna “filosofável”, desde a pétala de uma flor até uma xícara de café.

Ao longo da história do pensamento ocidental, muitos foram os filósofos que contribuíram com certos conceitos que pudessem apresentar uma definição do que viria a ser a filosofia, seu caráter científico, seus métodos, etc.

Muitas são as referências para respondermos nossa questão principal, porém, levando em consideração um ponto de vista pessoal sobre a realidade atual e as problemáticas que nela surgem, percebemos que tal intento não é fácil – na verdade, nunca foi, assim como viver conscientemente não é.

A filosofia europeia do século passado, especialmente a francesa e a alemã, foram grandes contestadoras do uso “mecanizado” da razão, visão instrumentalizada construída ao longo da Modernidade. Vale lembrar também que as duas guerras mundiais e suas consequências colaboraram fortemente para a construção dessa nova maneira de pensar o mundo e, principalmente, as pessoas enquanto seres únicos e diversos.

Jean-Paul Sartre (1905 – 1980)

Os existencialistas, tendo Jean-Paul Sartre como principal e mais famoso representante – o que não quer dizer que seja único, defendiam uma perspectiva interessante sobre o ser do homem/mulher e seus papéis na construção de sua história no mundo. Consideravam a pessoa como um ser livre de predeterminações que, longe de ter uma essência, se faz à medida em que vive, segundo as suas escolhas, diante das situações em que está imerso: “(…), em primeira instância, o homem existe, encontra a si mesmo, surge no mundo e só posteriormente se define” (SARTRE, 1978, p. 4).

Aliada a essa concepção, que pode ser caracterizada como uma filosofia da ação ou do cotidiano, estão as produções filosóficas da época que não se limitavam a manuais ou grandes tratados, mas se estendiam à romances, contos, peças de teatro, etc, formas diversas que aproximavam da filosofia as pessoas que não tinham acesso a esse tipo de conhecimento específico. Esses são alguns pressupostos que contribuem para a construção da reposta para a nossa pergunta motriz.

Albert Camus (1913 – 1960)

Sem desconsiderar as demais expressões filosóficas que existem hoje e que buscam atender a uma série de necessidades provenientes de diversos campos do saber, podemos apresentar o existencialismo como elemento notável e de grande ajuda para entendermos o que também pode ser a filosofia. Ora, segundo Albert Camus (1965a), filósofo e escritor (e muitas coisas mais) franco-argelino, em seu ensaio O mito de Sísifo, a questão mais decisiva de todas é a que diz respeito ao sentido da vida. E é possível salientar a contribuição de que o existencialismo apresente propostas reflexivas sobre o sentido da vida que correspondem a maior parte das necessidades atuais e que se refletem na vida de cada um que busca dar a ela um sentido.

Continua…

Referências:
CAMUS, Albert. Le mythe de Sisyphe. Essais. Paris: Gallimard, 1965a.
SARTRE, Jean-Paul. O existencialismo é um humanismo. In: Os Pensadores, São Paulo: Abril Cultural, 1978.

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