Minha Trilha #1 Uma prece, um pensamento com fé

Esse texto é o primeiro da série Minha Trilha, onde vamos compartilhar de um jeitinho bem leve e pessoal algumas músicas, trilhas e playlists que fizeram ou ainda fazem parte da vida de membros do Ultraj3 e de convidados  especiais que vão aparecer por aqui em breve. Enjoy!

 

Tenho uma relação com a música muito religiosa. Não vou tomar posse desse sentimento, claro, pois tenho certeza que muita gente também passa pelo mesmo. Mas falando por mim, minha conexão com as melodias, e algumas em específico, é de como se eu estivesse em uma boa terapia, fizesse uma prece, um pensamento com fé.

Algo profundo dessa forma aconteceu no fim do ano de 2015, quando fiz duas viagens para o Rio de Janeiro com um intervalo de dois dias entre cada uma. Na primeira, que fiz especificamente pra ver um show, acabei faltando algumas aulas da faculdade, sendo que em uma delas eu deveria apresentar um trabalho em grupo.

Como uma boa aluna (algo que não foi tão exemplar ao longo dos anos, confesso), corri para escrever aquela que seria minha fala durante a apresentação e mandar diretamente para a professora. Abri meu computador velho e viciado no meio de uma salinha no aeroporto do Galeão e comecei a escrever, entre músicas, vídeos bestas no youtube e muita distração.

Segundos depois que finalizei a escrita e enviei o arquivo por e-mail, passei a ouvir do nada uma música muito, muito linda. Era uma melodia tão boa, a gente saca de longe que o negócio é muito bem produzido né? 

O piano ou teclado encaixava certinho com as batidinhas da baqueta de leve na suposta bateria. Não entendo tanto de música não, mas pra mim naquele momento estava tudo bem harmonioso. A voz do cantor era docinha, não era super afinada, mas era bela, conduzia os instrumentos ou vice e versa. 

Comecei a andar pelo saguão do aeroporto procurando a caixa de som de onde vinha a música. Parecia cena de filme, quando se está perto de encontrar algo ou alguém. Achei a caixa de som próxima a um banheiro e escutei algumas palavras da letra antes da música encerrar.

Era Clube da Esquina II, do Milton Nascimento, disse o Google. Prontamente coloquei no youtube para apreciar de novo e descobri que não era a mesma música que eu tinha escutado minutos atrás. Supus que fosse outro cantor interpretando. 

Passados uns dias depois daquela descoberta musical, tentei novamente caçar aquela voz. E não é que achei: Clube da Esquina II, de Lô Borges. Pesquisando mais descobri o Clube da Esquina, grupo musical formado pelo Lô, pelo Milton (muito íntima), por Flávio Venturini e outros. Diga-se de passagem, até hoje não faço ideia de qual dos três escreveu essa música, então mil perdões.

Desde que achei a tão esperada música do aeroporto passei a idolatrá-la como minha, como trilha da minha trajetória. Lia a letra diversas vezes tentando sempre interpretar algo pessoal ali, porque sim, sou dessas. 

Aquela música foi o tema da viagem que fiz, a primeira sozinha. Foi o tema da minha solidão, de momentos felizes e tristes. Foi tema de mudanças de trabalho, de casa e também foi para aquela música que recorri quando me sentia perdida.

Eu também ouvia outras músicas do CD Trem Azul, de onde veio Clube II, sendo uma delas “Força do Vento”, atualmente minha preferida. Comecei a me viciar nesse segundo som quando, há pouco tempo, entendi o que aquela música do aeroporto significava para mim, ou pelo menos aquilo que tirei como interpretação.

Hoje, na sacada do meu apartamento,  escuto Força do Vento, literalmente uma música para os meus ouvidos. Reparo os acordes, a guitarra, bateria e a voz. Acho que tem até um violino no fundo, não sei.  E como boa teimosa e curiosa que sou, procuro novamente entender minha vida, compreender meus momentos nessa nova música, esperando que me ajude como a anterior supostamente me ajudou.

Mas sabe, acho que a resposta vem, com ou sem ajuda da música pois sei que é perda de tempo ficar à espera de sinais ou milagres. A única coisa que realmente quero acreditar é que eu vou sempre sentir o mesmo frio na barriga que tive naquele aeroporto ao descobrir algo legal e novo na minha vida.

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