A Última Balada de El Manchez no YouTube: conheça a trajetória da animação amazonense

Foram quase 10 anos até que o curta “A última Balada de El Manchez” finalmente chegasse às telas digitais, em julho de 2019. Nesse período foram muitos editais perdidos, várias músicas mariachis produzidas e muito, mas muito trabalho.

Após a aprovação no edital de curtas-metragens, específico para produções audiovisuais com duração de até 30 minutos – quando conseguiram fomento do Ministério da Cultura, em 2013, foram gastos mais de 15 meses para a criação dos 70 cenários produzidos para as 22 cenas do curta de animação, que possui aproximadamente 18 minutos de duração e pode ser visto no YouTube.

O diretor, roteirista, produtor e design de personagens Leonardo Mancini contou ao ULTRAJ3 sobre o desenvolvimento do projeto do curta, que teve sua primeira exibição na 25ª edição do Anima Mundi, em 2017. Leonardo também falou sobre toda a criação e produção, citando o nome dos parceiros Abrão Figueira, Bruno Fabian e Cesar Edgar. E claro, não deixou de comentar os planos para o futuro.

ULTRAJ3: Como foi a produção para o curta-metragem?

Leonardo Macini
Diretor Leonardo Mancini (Foto: Arquivo Pessoal)

Léo Mancini: Eu escrevi o projeto no final de 2013 para o edital de apoio a curtas-metragens do Ministério da Cultura, e o resultado veio sair em 2014. Com a aprovação eu fiquei muito feliz e convoquei nas redes sociais animadores para participar. Nesse processo conheci as pessoas que trabalharam no curta, a primeira pessoa foi o Bruno Fabio que é animador, já tem experiência e mestrado na área.

Ele me apresentou o Abrão Figueira, que é outro grande talento. Aí eu conheci o trabalho do Edgar pela internet, fui atrás do portfólio dele e gostei muito. Entrei em contato e ele topou participar, e a equipe ficou assim com nós três  como animadores e design de personagens, e o Edgar como background, ele desenhou mais de 70 cenários pro El Manchez.

ULTRAJ3: Como surgiu a ideia para fazer A Última Balada de El Manchez?

Léo Mancini: Eu desenvolvi a ideia muito tempo atrás e a primeira coisa que veio foi a música. Eu aprendi a tocar violão com uns 11 anos e assisti àquele filme El Mariachi (1993) e esse filme marcou, gostei bastante, e comecei a procurar músicas mariachi. No processo, me apaixonei pela história do México e afins, daí eu montei a musiquinha que viria se tornar tema do El Manchez. São quatro notas bem simples e aí eu ficava tocando essas músicas várias e várias vezes e delas veio surgindo a ideia de fazer um trabalhador de lavoura mexicano tentando entrar nos Estados Unidos ilegalmente e acontecendo tudo que acontece com ele no curta (SEM SPOILER).

Em 2009 eu começaria a escrever num caderninho o que se tornaria a base do curta, colocando ideia,  quem era o personagem, de onde ele vinha, que cidade ele morava… a partir daí comecei a desenvolver um roteirinho bem simples e em 2011 eu participei de um evento chamado 24 Comic Day, onde resolvi usar essa história que já estava na minha cabeça há um tempão. Montei um roteiro pra me ajudar e o quadrinho, peguei todo esse material e fui montando o projeto técnico, roteiro, orçamento, equipamentos, pra poder inscrever no edital.

ULTRAJ3: Gostaria que me falasse um pouco da trajetória até chegar no YouTube…

Léo Mancini: A equipe são 4 pessoas, e eu meio que produzia, coordenava tudo e cada um nas suas funções. O Bruno e o Abrão me ajudaram a desenvolver o storyboard e o design dos personagens, esse processo levou mais ou menos dois meses, e daí a gente começou a fazer animação bruta mesmo. O Edgar desenhava cenário atrás de cenário e eu e os meninos dividimos a quantidade de cenas, que são 22, e começamos a animar. Eu chamei alguns amigos meus para me ajudar com a trilha, mas tava todo mundo muito atarefado, então resolvi montar eu mesmo.

Gravei tudo em casa com o meu equipamento e depois entrei em contato com o Beto Montrezol, que é o dono do Estúdio supersônico, e ele fez a mixagem final. Com ele eu também gravei as vozes em inglês e portunhol. Eu consegui o telefone do Silvio (Navas) depois de muita pesquisa na internet, entrei em contato, ele curtiu a ideia, a gente leu o roteiro muito rapidamente e ele passou de forma belíssima no telefone comigo, e foi lá no estúdio em Santos gravar, acho que ele gravou em umas duas horinhas.

Terminamos um pouco antes do encerramento das inscrições para o Anima Mundi 2017, foi  quando enviei a cópia para o Ministério da Cultura e para o Anima Mundi e graças a Deus foi aprovado. A partir desse processo o que eu tinha que fazer depois demorou uns 2 meses. Da aprovação até exibição, em 2017, demorou quase 2 anos e fizemos tudo dentro do orçamento, não estouramos, inclusive, uma pequena parte do que não utilizamos foi devolvida para o governo e agora estamos disponibilizando na internet para todo mundo assistir. O curta já participou de alguns festivais, notoriamente o Anima Mundi, do Festival de Animação em Brasília e da Mostra do Audiovisual do Estado do Amazonas.

ULTRAJ3: Como foi teu envolvimento com a animação e quais são os novos projetos?

Léo Mancini: Eu tenho dois projetos que estão na linha de produção. No ano passado eu fui contemplado num novo edital de apoio a curtas-metragens também pelo Ministério da Cultura, com um curta chamado Briga de galo, que conta uma história em quadrinhos sobre um galo que é pugilista e agora tá precisando de uma grana para manter a escola dele aberta, então resolve se inscrever em um vale-tudo. Esse já está em processo de finalização, estamos na cena final e também vai ser lançando na internet, mas antes ele vai fazer a turnê dos festivais.

Além disso eu participo de um coletivo chamado Planos em Sequência com outros artistas e cineastas, onde estamos tentando tirar do papel um documentário de longa-metragem sobre a Santa Casa. Eu estou desenvolvendo um longa independente, de baixíssimo orçamento, que ainda estou escrevendo e planejando para talvez o início ou metade do ano que vem.

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